Arquivo para a categoria 'Reflexões'

13
nov
09

Casamento e afins

Um texto extraído do meu blog sobre assexualidade:

Um bom casamento é aquele no qual o parceiro é um amigo.

Não existe simbiose…

Não existe mística…

Não existe mágica…

Em relações pessoais sempre somos amigos. Não existe outra condição relacional.

Os filhos na verdade são amigos dos pais. O nível relacional filho só existe como elemento cultural. Mas o amigo é inerente à relação social humana.

Qualquer nível relacional criado pela nossa cultara só gera outros problemas sociais. Um filho amigo é um ótimo filho, mas um filho filho é um grande problema!

Um filho filho não gosta dos pais. Eles mal se conhecem. Não se gostam. Não se sentem. Há apatia, a indiferença. E toda relação é composta por pressões sociais e barganhas em investimentos financeiros e psicológicos.

Um bom casamento ocorre entre dois amigos.

Mas nunca na história humana o casamento funcionou nas bases do amor, da sinceridade, da pureza de coração, da empatia e da razão. Talvez… talvez tenha existido algum casamento assim… talvez.

O que vejo hoje são pessoas ligadas pela dependência financeira; pela opressão social; pelas leis dos homens; pelas leis das religiões; pelo medo da solidão; pelo “elo” familiar; pela normalidade; pela obrigação existêncial; pelo medo da felicidade; pelo medo da liberdade; pela ilusão e até mesmo… pela força.

Bem… não tendo forças para dizer mais do que o que foi dito…

PENSE NISSO!

Por todo aqueles que sofrem em silêncio.

Leia mais clicando aqui.

05
nov
09

Sistema, normalidade & Cia

Vamos começar com algumas definições que não cheguei a fazer antes e por isso algumas coisas não ficaram claras.

Quando falamos do “Sistema” podemos estar falando de qualquer coisa. Cada um tem sua própria visão sobre o que é o Sistema, mas de uma forma geral nos referimos a ele como a mídia e/ou o governo. Para mim o sistema não se trata disso. Quando falei do sistema estava falando na verdade da normalidade. A normalidade é a lei social. Os que a obedecem são normais.

O suposto sistema do qual muitas pessoas falam se referindo ao governo e/ou mídia não passa do reflexo da normalidade. Antes de haver qualquer forma de governo houve a normalidade, os seres humanos naturalmente tendem a estabelecer suas leis sociais. Se formos analisar bem veriamos que o governo e a mídia são completamente impotentes por si só. Um único homem não poderia vencer uma gerra… ele precisa de pessoas. São essas pessoas que vencem a guerra, não a instituição militar.

Se formos analisar por esse princípio veríamos que problema gigantesco está em nossas mãos, porque inevitamentel tendemos ao sistema, ou seja a normalidade…

Querer estabelecer leis sociais não é necessariamente um problema. O problema está no homem que não usa as leis para o servir, mas sim serve a lei que ele criou. Isso já aconteceu várias vezes na história humana, mas é na normalidade onde encontramos os maiores conflitos sociais. Eu não poderia fazer uma lista dos casos mais clássicos dos efeitos da normalidade porque essa seria imensa. Basta observar o racismo. Antes da mais nada o racismo era (e para muitos ainda é) uma normalidade. Ser racista era ser normal. Estranho, ou anormal era ser contra o racismo e aceitar a todos.

Hoje sabemos muito bem o quanto o racismo é patético e desprezível, mas a 200 anos atrás ser racista era normal. Poucas pessoas naquela época podiam ver na sua frente um simples homem de pele escura. O que eles viam era um protótipo de um monstro que eles sentiam nojo e vontade de bater.

O racismo virou crime… mas a normalidade continua existindo. E as pessoas continuam sofrendo por não fazerem parte da normalidade. Na verdade ninguém é de fato normal, todos possuem suas particularidades que os fazem anormais. Mas ninguém quer ser anormal é como ser doente, depravado, estranho, tosco, burro ou seja lá mais o que for. Todos sentem uma forte necessidade de ser normal, mesmo sem saber exatamente o que é isso. Então ser normal se torna ser igual… assim fica muito mais fácil ser normal. Mas quem é igual?

Um bom exemplo é minha própria vida. Sou assexual, logo sou anormal. Mas as pessoas não suportam isso… sentem raiva, alguns ficam indignados querem zombar de mim outros sentem até vontade de bater. Mesmo que eu não tenha feito coisa alguma. Pode parecer estranho, mas muitas pessoas se comportam assim. Não sofro com isso porque aprendo a lidar cada dia mais com as pessoas. Mas muitos outros assexuais sofrem muito, profundamente. Alguns até entram em depressão, outros tentam se matar. E uma outra parcela sofre mais do que todos… porque querem ser normais.

Infelizmente para entender o que digo é preciso ter sensibilidade, o que em dias atuais é algo raro e sumindo. Os efeitos da normalidade não são tão catastróficos hoje e a cada dia irão ficar mais discretos. Não sei aonde isso vai parar, infelizmente não tenho controle sobre isso, ninguém tem. Mas minha intenção aqui é só esclarecer duas coisas: o que chamo de Sistema e os efeitos da Normalidade.

Espero que você possa entender. E quem sabe o mundo muda um pouco.

 

 

 

 

04
nov
09

“A moral das multidões”, por Alessandro

Texto reflexivo… leia e pense,
óbviamente.

O que mais me assusta na moralidade dos dias de hoje – na suposta moralidade dos dias de hoje – é que para sua defesa lança-se mão quase sempre de instrumentos imorais.

O apedrejamento e o linchamento, psicológico e físico, só são diferentes entre si porque em um deles não enxergamos os paus e pedras.

Porém, basta que surja um pau ou uma pedra para que a primeira modalidade se transforme entusiasticamente na segunda.

E se os instrumentos para o resguardo de determinado costume são imorais só posso supor que esse costume também é imoral. O ambiente onde ele se pratica é imoral. Aqueles que o praticam são, em verdade, imorais.

Assim, quando praticada em grupo, a moralidade se converte muito mais facilmente em vício que em virtude. A multidão é quase sempre moralista.

A aprovação e a proteção do grupo são suficientes para o nascimento simultâneo de mil santarrões, com dedos a apontar para a forca, a cruz, a fogueira, a guilhotina ou para seja lá o instrumento moralizante favorito da época. O YouTube, talvez? O Twitter? O seu blog quem sabe?

O maior prodígio relatado na Bíblia não foi fazer um morto acordar, mas conter um bando de moralistas prestes a apedrejar uma mulher.

É assustador, nas multidões, como as responsabilidades individuais não se somam e o cuidado com os indivíduos que a compõe não se intensifica. Ao contrário. As responsabilidades se diluem, os cuidados se esvanecem.

Nos eventos que se deram nesta semana, dizendo respeito ao comprimento maior ou menor da saia de uma estudante, não assistimos apenas ao linchamento moral de um desses indivíduos por conta de centímetros de pano. Assistimos à comprovação de que nossa educação está formando não seres humanos, mas multidões.

De um modo simples, pelo que vi, eu entenderia que é justificável agredir em bando uma pessoa se ela estiver, sob o ponto de vista desse bando, trajada inadequadamente.

O que seria de Leila Diniz (1945-1972) nos dias de hoje?

Em um ambiente onde deveriam reinar as luzes do discernimento, viu-se as trevas da ignorância. Temo não se tratar do caso isolado de uma instituição de ensino de terceiro grau.

Ultimamente, prefiro, com léguas de vantagem, ver uma multidão em uma orgia a uma multidão provinda de uma universidade.

Texto original do Livros e Afins.




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