As pessoas deveriam ser o que são, mas alguns usam máscaras para parecer o que não são.
A beleza como forma de padronização comercial;
O padrão de beleza;
A inversões do que é belo pelo que é pornô;
O que acontece com a beleza com o tempo;
A beleza exterior como máscara para a feiúra interior;
Feiúra e beleza, questões de saúde;
A beleza verdadeira;
Em O padrão de beleza vimos de uma forma resumida algumas idéias sobre a perversão da beleza, mas me contive em mostrar a manifestação desse padrão. Aqui explanaremos a simples erotização do corpo e a perversão que isso pode sofrer. Assis como todas as demais partes dessa série sobre beleza é necessário que se leia tudo para entender o todo.
Como dito antes o padrão de beleza na verdade surge a princípio por questões naturais. A criação de idéias geram outras idéias que se adotam como idéias de beleza. A cultura atual adotou pensamentos hedonistas não em sua totalidade, mas na visão do prazer pelo prazer. O vazio existencial causado pela quase total inexistência de personalidade precisa ser preenchido de alguma forma e o prazer é uma das formas mais eficazes de preencher esse vazio. Qualquer forma de prazer pode se tornar, se desejado, um alienador. O caso mais clássico disso são os alcoólatras que na maioria bebem para não precisar lidar com a realidade. O prazer sexual e suas implicações são ferramentas de alienação muito eficazes. A mente hedonista busca o prazer justamente pela sensação que ele gera e pela ilusão de paz. Além disso ser tido como sensual pode gerar um sentimento de valorização social. Tudo isso “junto e misturado” gera o processo de alienação pela beleza que termina em perversão.
O prazer é na verdade uma reação química cerebral. O prazer produzido de forma natural, ou seja: pela comida, odor, toque e som são mecânismos biológicos de proteção da vida. Qualquer um ao ver que o fogo queima e doi vai deixar de colocar a mão alí o mesmo vale para sabores, sons e cheiros. Isso também se aplica para o que gera prazer. Comer pode se tornar um vício assim como a relação sexual, sendo que o primeiro é essencial para o mantimento da vida humana, já o segundo só tem utilidade na reprodução da espécie.
Estava vindo outro dia para casa e passou por mim uma garota que não tinha o padrão de beleza, contudo expressava exagerado desejo de se mostrar sensual. Pelo que lembro ela usava uma camisa com um decote grande, um sutien bastante apertado de forma que colocava a maçã dos seios para fora, um short não muito curto mas igualmente apertado. Além da roupa usava muita maquiagem e muito creme no cabelo, mas o que mais me chamou a atenção foi ela ter passado bastante óleo para o corpo nas maças dos seios ao ponto de deixa-los reluzentes. A pergunta que faço aqui é: porque essa garota se apresentava dessa forma, no meio da rua? A resposta é mais que simples. Mas só entenderemos completamente em A beleza exterior como máscara para a feiúra interior. Até lá vamos apenas entender isso superficialmente.
A beleza biológica como veremos em Feiúra e beleza, questões de saúde é decorrente da expressão da saúde humana. Tendemos a valorizar aspectos que propiciem a perpetuação da espécie. Em tempos atuais é relativamente difícil encontrar mulheres jovens que não podem engravidar, mas a séculos atrás isso era uma questão muito séria. Na decorrência disso algumas culturas adotaram a idéia de seios grandes como saúde e fertilidade, visto que normalmente só mulheres férteis possuiam seios grandes, posteriormente esse aspecto foi erotizado. Os seios grandes passaram assim a denotar sensualidade e se tornaram objetos de desejos a séculos. Hoje não só o tamanho mas a forma, proximidade e firmeza são fundamentais. Em algumas tribos os seios femininos não denotam sensualidade alguma e são tão relevantes quanto um braço.
Existem uma certa confusão que só acontece na mente das pessoas, porque na prática basta sair nas ruas para saber quem é desejada(o) ou não. Por algum tempo as mulheres anorexicas fizeram sucesso como padrão de beleza, mas elas nunca foram um padrão de beleza de verdade porque se colocássemos a Mulher Melão e a Gisele Caroline Bündchen quase todos os homens escolheriam a Mulher Melão, se não todos. Existem padrões de beleza que não são necessariamente relacionados a sexualidade, mas são relacionados a padrões de saúde e/ou perfeição física.
O que nos entendemos por beleza é na verdade a idéia erotizada do corpo humano. De uma forma resumida a questão é que o pensamento hedonista trata o corpo e até qualquer outra coisa (um cabo de madeira, p.e.)como um objeto de prazer. Sendo assim observa-se o próprio corpo e o corpo alheio como objetos de satisfação prazeroza. O que não necessaroiamente foge da realidade visto que qualquer um se quiser poderia se auto-satisfazer sexualmente melhor do que qualquer outro parceiro sexual.
Mas então de que serve a beleza? O ditado popular Beleza não se põe à mesa só mostra que a beleza não tem um valor concreto, mas sim idealizado. De fato ser bonito ou ser feio não faz diferença alguma na prática, porque o beijo será o mesmo, o sexo será o mesmo, o carinho será o mesmo ou seja toda a relação afetiva não é afetada pela beleza. E em dezenas de outros aspectos se vê que a beleza não faz diferença alguma, a não ser na mente das pessoas. Algumas pessoas cegas sabem bem do que falo.
É na mente que ocorre toda a interpretação do que é belo, que para nos é o que é sensual. É aí que entra o valor idealizado da beleza. Temos idéias e entre essas idéias estão os pré-conceitos. Temos conceitos pré-estabelecidos sobre milhões de coisas e o prazer sexual é uma delas. Entendemos que o corpo expressa um prazer em potencial, superficialmente estamos certos, mas na prática isso é muito relativo. Uma pessoa de boa saúde física e de corpo malhado expressa a idéia de uma boa relação sexual devido a sua vitalidade. Imagina-se que aquela pessoa por exibir tal vitalidade consumará essa mesma disposição no sexo. Isso não passa de uma ilusão, é como dar um tiro no escuro. A saciedade sexual varia infinitamente de pessoa para pessoa. Uma mulher gordinha e pequenina pode ter 4 ou mais relações numa noite e ainda querer mais, enquanto uma alta e malhada pode ter uma só e sem vontade.
Contudo um exemplo que não passa de pura perversão é o bumbum. No ser humano (o mesmo acontece com outros animais em diferentes áreas) a área entre o anus e o sexo é erógena, assim excitante (como quase todo o corpo). Vários povos viam essa área como uma grande fonte de prazer e assim cultuavam o sexo anal (normalmente homossexual) até como um ato religioso. Idealizou-se com os séculos que o sexo anal é mais excitante e prazeroso do que a forma habitual. Hoje em dia a tara masculina é pelo bumbum que denota pela sua forma e firmeza um prazer sexual. O que não tem relação alguma visto que qualquer área erógena só serve como estímulo para o ato sexual natural. O anus não tem propriedades que estimulem uma penetração, assim como a boca também não tem essas propriedades.
O fetiche é apenas uma idéia que na grande maioria dos casos não tem nada há ver com a realidade. É apenas a idealização de uma coisa qualquer. Uma mulher de seios grandes não vai proporcionar um sexo melhor do que uma de seis pequenos. Pouco a pouco os homens vão percebendo isso e ao se frustrarem diante de suas fantasias tolas precisam de novas fantasias. De tempos em tempos um fetiche é extinto e outros surgem. O ciclo nunca termina, mas tende a piorar cada vez mais com o hedonismo.
Uma racionalização simples que poucas pessoas conseguem entender, mesmo praticando, é que beleza que entendemos por beleza é igual ao valor sexual. Que podemos dividir em dois:
- Valor sexual de prazer
- Valor sexual de reprodução.
Somos mamíferos e por isso sentimos prazer na relação sexual (áreas erógenas + orgasmo). E também por isso, inconscientemente, temos a missão biológica de reproduzir. Nossa reprodução deve ser saudável e de preferência melhor do que a dos demais. Esses dois valores pulsam o tempo todo em nossas mentes. Primeiro porque somos animais então temos essa missão natural de reproduzir e segundo porque o sistema atual visa o hedonismo, a busca do prazer pelo prazer. Não há outros elos com o prazer, é ele por ele mesmo. E quanto mais prazer melhor.
A busca pelo prazer ainda irá gerar seres completamente alienados, assim como acontece com os drogados. As pessoas irão fazer de tudo, inclusive roubar para poderem sustentar seus vícios. Mas essa nova droga não será proibida, mas sim estimulada pelo comércio legal. Teremos a banalização completa do sexo, desvalorização dos relacionamentos, sentimentos e da afetividade.
Infelizmente o que na falta de um nome chamamos de sistema está corrompendo tudo que é bom. O grupo Kid Abelha, que eu particularmente gostava pela boa voz da vocalista e letras delicadas e bem escupidas criou uma música, ou manifesto pela poligamia, que você pode ler abaixo:
Meus amores me querem inteira; Em qualquer posição ;Meus amores não marcam bobeira; E eu não fico na mão..
Escritório, supermercado; Banco de condução; Todo canto é apropriado; Eu nunca digo não…
Abaixo o enguiço dos neurônios; Abaixo o desperdício de hormônios; Prazeres já temos de menos; Produtos já temos demais…;
Vamos ficar, vamos fazer; Vocês e eu, eus e você; Vamos gozar, vamos viver; Vocês e eu, eus e você…
O amor o sorriso e as flores; Paraíso de Dante; Meus amores não são; Implicantes; Com meus outros amantes…
Corcovado ou escada rolante; Tudo isso convém; Todo homem merece um harém; Toda mulher também…
Abastece de óleo os neurônios; Esquece o monopólio de hormônios; Prazeres já temos de menos; Ciúmes já temos demais…
Vamos ficar, vamos fazer; Vocês e eu, eus e você; Vamos gozar, vamos viver; Vocês e eu, eus e você…(4x)
Infelizmente esse é o caminho que as coisas estão seguindo. Quem pode ver sabe do que falo, pelos que não podem espero que seus olhos sejam abertos.
A fragilidade do valor sexual.
Dentre todas as formas de prazer o sexo é a mais sensível de todas porque é a única que não tem por objetivo a manutenção da vida do indivíduo, servindo apenas como forma de reprodução. A intensidade da pulsação sexual varia muito, mas em média começa aos 12 anos e se desenvolve até o fim da puberdade (que pode durar mais de 10 anos) e depois da puberdade a tendência é que o libido diminua pouco a pouco, depois dos 40 anos a diminuição é mais acelerada.
A relação sexual também cria um vínculo entre o casal que deve ser mantido por toda a vida. Não é saudável que o ser humano, principalmente as mulheres, seja poligamo. Qualquer tentativa de poligamia vai diluindo a alma até um ponto que “tanto faz”. A pessao começa a viver uma vida de orgias e não consegue ver problema algum nisso. É o prazer pelo prazer e que vá pros quintos dos Infernos aquele que reclamar.
O tempo é o maior inimigo do hedonismo, porque é com ele que vemos o resultado de tudo que fazemos. Com o tempo vemos os efeitos colaterais das perversões que normalmente são mais perversões. Chegando a casos de zoofilia e pedofilia. Com o tempo o desejo sexual diminui e a vida mostra seu refluxo.
Somos racionais e temos um imenso poder sobre nosso próprio corpo. Em casos de trauma um ser humano mesmo tendo a missão biológica e estar cercado por pessoas hedonistas rejeita completamente a relação sexual e nunca a pratica em sua vida. Existem milhares de pessoas assim. Em outros casos mostra-se o poder da racionalização sobre o corpo, quando a pessoa deliberadamente modera suas relações sexuais (algumas se abistendo). E por último os ditos assexuados que são casos que vão além da simples racionalidade.
P.S.: A falta de ilustrações (imagens) nesse post é em respeito a todos os leitores. Qualquer imagem para ilustrar isso aqui seria pior do que a da Mulher Melão do artigo anterior. Não vou me rebaixar ao que fizeram na Wikipedia para explicar o sexo oral. Gostaria até de aproveitar para fazer uma crítica em relação a isso. Quando se trata de sexualidade a Wikipedia é mais que parcial. Induzindo o leitor a acreditar que determinadas informações são verdadeiras, quando na verdade algumas são só fetiches pervertidos e outras são relativas ao observador.



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