Acris (Ana Cristina), “Professora, pesquisadora de semiótica e fonética no campo das ciências da fala incluindo aí sua tecnologia. Amo a liberdade que a pesquisa científica traz, por isso também me apaixonei pela filosofia do software livre. Desse modo, criei, além do projeto que já trabalhava com Software livre desde 2002, o Texto Livre em 2006. Fui compositora muitos anos, tenho paixão por surf, pela minha família e todos usuários de Linux.” Precisa falar mais alguma coisa? Desfrutem da entrevista, onde Acris fala sobre os principais pontos do Software livre e como é ensinar isto a seus alunos.

O que é o Linux?
O sistema operacional mais adequado para a pesquisa científica, por seus resultados muito mais rápidos e pela assistência constante e até mesmo específica para cada pesquisa e necessidade. Além disso, o sistema mais estável para servidores e cada vez mais maleável e adequado a desktops, para usuários de todas as idades e desejos.
Qual é o melhor Sistema Operacional e o por quê?
Ai, daí você me pegou. Se tiver que comparar entre Windows, Linux, Mac OS X, BSD e Solaris, vou dizer que os três últimos nunca usei e o primeiro, o Windows, se puder, não uso nunca mais.
Mas, entre as distribuições Linux, serei obrigada a confessar que usei muito pouco delas (Fedora foi o primeiro, depois Ekaaty, Ubuntu e, finalmente, Debian no servidor) e experimentei outros tantos (Kurumin, Poseidon, Gentoo, Pandorga). Eu ainda gosto do Fedora, porque vem bastante completo, com todos os programas que você precisa já instalados. Tenho usado o Debian no servidor, muito estável. E o Ubuntu no desktop porque dá suporte a hardware que o Fedora deixa de dar por ser obsoleto nos EUA, mas aqui não. O Ekaaty usei muito tempo, começando pela versão alpha. Amo o Ekaaty.É um linux brasileiro baseado em Fedora e agora vou testar a versao 3.0 dele. O Ubuntu também tenho usado pela facilidade de atualização de programas, principalmente os científicos. Mais um ponto a favor do Ekaaty é trazer o BrOffice no lugar do OpenOffice. Enfim, não acho que exista o melhor. Acho que existe o melhor para você num determinado momento.
Porque o Linux deveria ser adotado pelas escolas?
O Linux deveria ser o sistema operacional padrão dos laboratórios e equipamentos para datashow em todas as escolas, especialmente as públicas: porque é adequavel às diferentes necessidades de cada escola (faixa etárea, área etc), porque existem interfaces extremamente fáceis de usar, porque é grátis, porque seu uso leva as pessoas mais interessadas a ganharem uma intimidade com o computador muito difícil de se conseguir no Windows, porque as pessoas podem levar pra casa e instalar mesmo em máquinas menos potentes, sem custos extras e, talvez acima de tudo, porque a filosofia do software livre é a de compartilhar conhecimento, exatamente o que esperamos que aconteça nas escolas.
Como o Linux ajudaria o aluno?
Pelos mesmos motivos que citei acima: o uso do Linux, a busca por suporte, o aprendizado em tutoriais, tudo isso cria uma inteligência sobre o uso do computador que dá autonomia ao aluno. Deixam de ser alunos (sem luz), passam a ser seus próprios tutores e aprendem o prazer de compartilhar.
O que o Linux tem que ninguém tem?
Essa pergunta é engraçada. Eu acho que outros sistemas operacionais tem muita coisa boa. O próprio Windows, apesar de eu particularmente não gostar de usar, serve a muita gente. A pergunta é engraçada porque a gente, quando se envolve no Software livre e no Linux, veste a camiseta e sai por aí torcendo pro timão sem querer saber de nenhum outro. Daí eu posso afirmar: mmmm o Linux me deixa plenamente satisfeita
Mas eu defendo, acima de tudo, a liberdade de escolha. Ninguém tem que usar Linux em sua casa, a não ser que queira. É diferente do Windows, que vem na enorme maioria dos computadores vendidos e as pessoas ficam tão “viciadas” nele que sequer conseguem perceber seus problemas e limitações. E também é diferente de instituições públicas, nas quais é simplesmente uma falta de decoro os gastos absurdos com Windows e MS Office, dinheiro público que poderia sanar tantos outros problemas da comunidade brasileira.
Como seus alunos recebem o Linux e a filosofia do Software livre?
Como esperado: a maioria se espanta de ver esse assunto tratado numa aula na letras, alguns já usam, outros ficam com vontade de experimentar, um tanto fica completamente indiferente e outro tanto fica contra. Essa situação é interessante, porque gera polêmica, faz as pessoas pensarem. Eu trabalho muito mais com a filosofia do Software livre do que com o Linux propriamente dito. Esse tema tem muito mais a ver com esses alunos e produz muita discussão boa, tanto a favor, quanto contra.
Você acredita na filosofia do Software livre?
Sim [longo e sorridente].
Se o Linux tomasse o lugar do Windows o mundo seria melhor?
Se o Linux continuasse tão livre quanto hoje, com certeza. É o que as licenças querem garantir. Seria melhor porque teríamos uma inclusão mais ampla e mais consciente da população.
Como ganhar dinheiro com Software livre?
Oferecendo suporte a quem não deseja procurar por si mesmo (ou não pode se dar ao luxo, como em empresas) e produzindo, também na forma de suporte, adequações ao software para as necessidades específicas de cada empresa-cliente.
Quais são os projetos que você faz parte?
Nossa, nunca pensei que a palavra projetos pudesse ter tantos sentidos. Deixa eu ir lá no IRC te perguntar em qual deles você quer saber…. Ops, você não está. Ok, vamos lá. Projetos de Software Livre: coordeno o Texto Livre (Grupo de Suporte à Documentação em Software Livre), sou editora na Underlinux e participo, quando posso, de projetos como Ubuntu-br, Ekaaty, Fedora-br, GnuLinux e outras salas da Freenode no IRC. Projeto científico: Semiofon: semiose e fono estilística (pesquisas em ciências da fala).
Quais são seus planos futuros?
Ih… meu futuro é hoje. Além de todos esses projetos, quiçá surfar no final do ano, se a grana for suficiente.
Uma palavra final para o pessoal:
Documente!!! Documentação é a alma do software livre: desde um código limpo e bem comentado até um tutorial para leigos, é imprescindível que se torne prática documentar ao máximo tudo que for feito em Software Livre para alcançar uma boa divulgação, distribuição e colaboração. Eu sei o quanto é difícil, na hora de escrever o código parace que tudo que importa é que ele funcione. Mas se funcionar e for ilegível ou difícil de usar e instalar, não vai vingar. Um grande beijo!
Revisão: snort



Abril 29, 2008 at 10:17 pm
Belissima entrevista,
de todas elas foi a mais interessante.
A que mais tive vontade de ler tudo hehehe…
Parabéns ao blog e claro a entrevistada.
Abraços
Abril 30, 2008 at 1:22 am
Noooosssa! Júlio e Snort! Botaram pra “F”!
Tá muito bom o Blog! Li desde a primeira entrevista…
Realmente ficou bom! ;D
A comunidade Open Agradece!
Abril 30, 2008 at 2:12 am
O melhor linux eh o que você faz.
E o melhor jeito de o fazer: Archlinux.
pacman ftw!
Maio 1, 2008 at 9:13 am
Tenho que discordar caro amigo.
ArchLinux não é tudo isso como fala.
:c)
pacman é coisa mais maluca que já invendaram pra instalação de pacotes.
Prefiro velho e bom apt-get.
Não falha nunca.
Maio 19, 2008 at 1:13 pm
Adoooooooorei a entrevista. Ana é realmente fantástica, além de ser mil em uma só. Entrevista que a gente não apenas ler, senão digere!!!